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Beltrame se preocupa com poluição e cobra legado para o remo

Campeã mundial e principal nome da modalidade no país exalta parceria com Bia Tavares e diz que meta é terminar entre 11 melhores no Mundial

Esportes // Olimpiadas
Publicada em 06/08/2014 às 10:30:49

   Um dos mais belos cartões-postais cariocas e palco das provas de remo e canoagem nos Jogos Olímpicos de 2016, a Lagoa Rodrigo de Freitas voltou a sofrer com o despejo irregular de esgoto. Campeã mundial em 2011, a remadora Fabiana Beltrame mostrou preocupação com a poluição das águas, que teria sido agravada após a descoberta de um novo vazamento. Mesmo com milhões de reais investidos em saneamento básico no entorno da Lagoa, a atleta do Flamengo diz que nada mudou até o momento.

 

A dois anos das Olimpíadas, a atleta do Flamengo destaca que o problema não será um obstáculo para a realização das provas, no entanto, o mau cheiro e a cíclica mortandade de peixes não são as condições ideais para a prática da modalidade. 

 

- A poluição está igual. Foi descoberto um novo canal de esgoto. Isso me deixa triste e bem preocupada. Acho que não interfere na competição em si, mas será preciso fazer uma limpeza das algas antes das Olimpíadas. A Lagoa é um lugar que deveria inspirar a saúde. O mau cheiro é desagradável, mas nunca ouvi alguém dizer que tinha ficado doente por conta da poluição. Temos um problema também da mortandade dos peixes que acontece de vez em quando. Espero que isso não aconteça durante os Jogos - disse Fabiana. 

 

A falta de espaço para os treinos dos atletas no local, a presença de barcos de outros clubes e ainda de atividades como wakeboard, também atrapalham a preparação para 2016. A situação deverá se tornar caótica com a chegada dos atletas que irão disputar os Jogos, que deverão passar por um período de aclimatação no Rio de Janeiro antes da competição. 

 

- Dividimos espaço com lanchas e barcos de todos os clubes. Sem contar com o wakeboard, à tarde, que provoca marola e fica quase impossível de treinar. O pessoal não respeita muito e passa do lado dos nossos barcos. Não é o ideal. O ideal é ficar num lugar concentrado, mas isso é o que temos. Ainda não sabemos onde vamos nos preparar. Provavelmente, vai ser na Lagoa mesmo. O ponto positivo é que treinamos na raia que vamos competir e conhecemos bem. Mas não temos uma estrutura adequada para receber os atletas dos outros países. Eles vão chegar com antecedência para se adaptar, mas não vão encontrar as condições ideais para sua preparação - contou a atleta rubro-negra, que três Olimpíadas no currículo. 

 

Para Fabiana, a ausência de um centro de treinamento para a seleção brasileira é um ponto que prejudica o desenvolvimento do esporte no país. Ao contrário de outras modalidades, as Olimpíadas não deixarão um legado para o remo, que terá uma estrutura temporária. 

 

- Não vai ter legado nenhum para o remo. Essa é a principal briga dos atletas, da Federação e da Confederação, que a gente fique com alguma coisa depois que os Jogos terminarem, não só com as fotos. Vão montar uma estrutura temporária, com arquibancadas flutuantes, mas não vão deixar um centro de treinamento com um espaço legal para receber os atletas, como em outros lugares onde eu já competi lá fora. O remo precisa de espaço. São muitos atletas e barcos. É preciso ter um espaço para guardar os barcos, outros para um restaurante, sala de musculação, academia... O remo é um esporte na água, mas a preparação também é feita fora dela.

 

Especialista no single skiff leve, que não faz parte do programa olímpico, a catarinense de Florianópolis encontrou a sua parceira para entrar na briga por medalhas no skiff duplo peso leve em 2016. Após uma série de testes, ela fechou com a uma promessa da modalidade: Beatriz Tavares, de 19 anos, revelada pelas categorias de base do Flamengo. Juntas, elas já colecionaram alguns resultados importantes. A medalha de ouro no Festival Pan-Americano, disputado na Cidade do México, em julho, rendeu à dupla a vaga nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, e trouxe um sopro de esperança para o remo brasileiro. As competições no ano que vem serão parte da preparação para as Olimpíadas. E o primeiro objetivo já foi traçado. 

 

- O nosso maior objetivo é ficar entre as 11 melhores do Mundial e se classificar para 2016. Esperamos conseguir uma medalha olímpica ou resultados nunca antes alcançados pelo país. Ainda temos dois anos para trabalhar. Queremos também o ouro o Pan, algo que o Brasil não consegue há mais de 20 anos. Passo a passo, vamos seguir com os nossos planos. Apesar de jovem, a Bia é uma atleta focada, disciplinada e de muita técnica. A gente se dá muito bem, ela é uma menina tranquila, como eu. Treina desde os nove anos e tem me ajudado bastante. É uma troca de experiências para formar um conjunto perfeito, uma parceria que está dando muito certo. Ela é a minha proa, rema atrás de mim e tem a facilidade de me acompanhar. Parece que eu estou remando sozinha, como sempre remei, que é o mais importante - finalizou. 

 

O próximo compromisso de Fabiana e Beatriz é o Mundial de remo sênior e peso leve, entre os dias 24 e 31 de agosto, em Amsterdã, na Holanda. A dupla viaja nesta quarta-feira para um período de aclimatação nos Países Baixos.

 

 

 

fonte:ORMNews

 

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