Em novembro, quando fez uma visita a Natal (RN), a presidente do Supremo Tribuanl Federal, ministra Carmen Lúcia, foi aconselhada a não visitar o presídio de Alcaçuz em razão da falta de segurança na unidade prisional potiguar.

 

Cristiana Lôbo

 

No presídio Anísio Jobim, em Manaus, onde houve a chacina de 56 presos no primeiro dia de 2017, não havia um único preso temporário.

 

 

Na reunião entre chefes de poderes organizada pela presidente do Supremo, o general Sérgio Etchegoyen, chefe do Gabinete de Segurança Institucional do governo federal, mostrou um mapa apontando facções criminosas que se instalaram em diversos estados.



Tudo isso mostra que a crise nas penitenciárias não decorre de um único problema. São vários e conhecidos do poder público.



Foi por esta razão que, depois de ter demorado alguns dias para se manifestar sobre o massacre no presídio de Manaus  que chegou a chamar inicialmente de "acidente pavoroso"  o presidente Michel Temer parece ter compreendido a gravidade da situação, não só nos presídios do país, mas em toda parte.


  
"É uma questão de segurança nacional", ele disse quando se corrigiu e chamou  o caso de Manaus de "matança pavorosa". A segurança pública entrou de fato para a agenda do governo federal.



Nesta semana, Temer vai se reunir com grupos de governadores, em Brasília, para discutir ações conjuntas de segurança pública, com base em informações obtidas por órgãos de inteligência do governo. Serão ações em duas direções: para pacificar o ambiente nos presídios (na medida do possível); e a segurança pública.

 

 

A avaliação feita internamente é a de que por mais de duas décadas a questão de segurança pública não foi devidamente enfrentada e agora não há mais como ignorar que este é um dos maiores problemas do Brasil.