chacina de Campinas, na qual um pai matou a ex-mulher, o filho e mais dez pessoas, está nos graus mais altos de violência e irracionalidade que a disputa pela guarda das crianças pode atingir. É um caso incomum, com elementos ainda em análise. Mas pode-se imaginar o sofrimento que o menino João Victor enfrentou, em sua curta e dolorosa infância. Fica a pergunta: quantas outros meninos e meninas enfrentam infernos silenciosos, ao se tornarem objetos de disputa entre adultos que se detestam?

 


É quase um tabu: pouco se fala sobre a realidade das crianças que são usadas como arma entre os pais, mães e respectivas famílias, depois da separação do casal. Em sã consciência, todos são unânimes ao afirmar que, se a relação terminou, só resta dar aos filhos todo o apoio e proteção e convencê-los de que essa é a solução mais positiva: afinal, ninguém pode viver infeliz. Uma promessa recorrente é a de que os pais podem ter se separado um do outro, mas nunca irão se separar dos filhos e o amor prevalecerá.

 



Na prática, porém, em muitos casos, o novo cotidiano da família mostra outra coisa.

 

 

Vê-se de tudo: ex-maridos que falam mal das ex-mulheres e vice-e-versa, colocando os filhos contra uns e outros, crianças que são usadas por um dos “ex” para controlar a rotina do outro, chantagens emocionais, extorsões financeiras e até mesmo a briga pela guarda dos filhos – batalhas que, às vezes, levam muito tempo e que, não raro, são motivadas por rivalidade e vingança. Esses embates podem se tornar destrutivos, cruéis e muito prejudiciais para as crianças.

 



Em boa parte dos casos, tais situações fogem ao controle da escola e até mesmo dos organismos de proteção das crianças, como os conselhos tutelares. São tensões e agressões cotidianas, às vezes até sutis, com intensidades variadas de violência psicológica. As crianças lidam com elas cada uma a seu modo, se equilibrando como podem diante do destempero dos adultos. 

 

 


As soluções legais são diversas: entre elas, a guarda compartilhada tem se mostrado uma alternativa bastante favorável. Mas a parte jurídica não dá conta de algo anterior e mais profundo: a sensatez que pais e mães deveriam tentar manter, lidando com as separações de forma racional e razoável, sem colocar os filhos no meio do embate.

 



Algumas dicas do que os pais nunca deveriam fazer quando se separam:



•    Esperar que o filho deixe de encontrar, falar ou ligar para a mãe ou o pai.
•    Querer que o filho passe mais tempo com um do que com o outro.
•    Tentar comprar o filho com presentes, regalias ou falta de limites.
•    Mudar os espaços e as rotinas da vida do filho (quarto, escola, amigos).
•    Pretender que as crianças não visitem mais os outros avós.
•    Largar a criança na porta da casa do outro como se fosse uma encomenda.
•    Exigir que os filhos não tratem bem os novos companheiros dos pais/mães.

 

(Foto: Reprodução/Facebook)